Não há unanimidade
na flexão do plural do substantivo
navio-escola, como, aliás, acontece com o
plural de muitas palavras compostas.
Das obras
consultadas que registam o plural para este tipo de palavras, Rebelo Gonçalves,
no seu Vocabulário da Língua Portuguesa, e José Pedro Machado, no
Grande Vocabulário da Língua Portuguesa, consideram que o plural é
navios-escolas. Celso Cunha e Lindley Cintra, na Nova Gramática do
Português Contemporâneo (Ed. João Sá da Costa, Lisboa, 14.ª ed., 1984, p.
188), consideram, por seu turno, que o plural é navios-escola, porque "o
segundo termo da composição é um substantivo que funciona como determinante
específico". O Dicionário Houaiss parece também seguir esta indicação,
preconizando, no verbete navio, "não flexionar a segunda palavra (p.ex.,
navios-aríete, vale dizer, navios usados como aríete ou navios
dotados de um aríete na proa; navios-tanque, navios-escola
etc.)". No entanto, talvez por lapso, mas mostrando a dificuldade de
sistematização destes plurais, o verbete navio-hospital, imediatamente a
seguir ao verbete navio-escola, tem especificado o duplo plural
navios-hospitais ou navios-hospital. O mesmo dicionário Houaiss afirma, na
definição da locução determinante específico, que este "tanto pode ser
invariável como flexionar-se quanto ao número: aviões-tanques,
operários-padrão".
Alguns dicionários,
como o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências
de Lisboa ou o Dicionário Aurélio, têm o registo de duplo plural para
esta palavra: navios-escola ou navios-escolas. Esta última forma (navios-escolas)
pode ser justificada pelo facto de, em muitas palavras compostas por dois
substantivos, ambos flexionarem no plural (ex.: tenentes-coronéis, cf.
Nova Gramática do Português Contemporâneo, p. 189).
Pelos motivos acima apontados, nenhum dos plurais (navios-escola ou
navios-escolas) pode ser considerado incorrecto como plural de
navio-escola. |