PUB
PUB
norma-padrão [Ortografia / Hífen]

O VOLP, os dicionários Houaiss, Aurélio e Priberam registram o verbete "norma-padrão", com hífen. A mesma grafia é encontrada nas gramáticas da Língua Portuguesa de autores brasileiros. Por outro lado, nenhuma das fontes acima citadas registra ou usa a forma "norma-culta", com hífen. Nas gramáticas, só aparece "norma culta", sem hífen. Qual seria a explicação para o uso do hífen em "norma-padrão" e o não uso do hífen em "norma culta"?
Mazô Athayde Júnior (Brasil)

No caso de norma culta, trata-se de um sintagma nominal composto por um substantivo (norma) e por um adjetivo (culto) que concorda com o substantivo que modifica em género e número (norma culta, normas cultas), não havendo por isso necessidade de hífen.

No caso de norma-padrão, trata-se de uma palavra composta por dois substantivos. Neste caso, o segundo substantivo (padrão) comporta-se como se fosse um adjetivo, já que, de algum modo, determina a natureza do primeiro substantivo: a norma-padrão é a norma que constitui a referência, o padrão. Este tipo de formação neológica, que traduz um conceito novo (outros casos incluem palavra-chave, andar-modelo, escola-piloto ou ataque-relâmpago) podem, durante algum tempo, causar alguma hesitação na sua escrita, podendo coexistir as grafias com e sem hífen, geralmente num estado transitório e até que uma delas se imponha pelo uso. Esta informação encontra-se explicitada no verbete padrão do Dicionário Priberam.

Ver também: plural de desvio padrão

Cláudia Pinto, 05/09/2019

Notas:

  1. As respostas são datadas e escritas segundo a ortografia da norma europeia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990.
  2. A base do dicionário foi alterada a 1 de Abril de 2009, pelo que as referências em dúvidas anteriores a esta data podem não corresponder ao conteúdo actual. As respostas sobre questões ortográficas são maioritariamente baseadas na norma ortográfica portuguesa de 1945, contendo as respostas mais recentes indicações sobre a ortografia antes e depois do Acordo Ortográfico de 1990.
  3. A bibliografia utilizada está disponível aqui.