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Classificação das orações

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Gramática - Classificação das orações

Vejamos o período seguinte:

Nuno Gonçalves, que foi alcaide do Castelo de Faria, teve de revelar coragem, quando os castelhanos o levaram até junto das muralhas desse castelo, que ele mandou defender pelo filho.

A primeira oração é subordinante: Nuno Gonçalves teve de revelar coragem. As outras são subordinadas: que foi alcaide do Castelo de Faria; quando os castelhanos o levaram até junto desse castelo; que ele mandou defender por seu filho.

Conforme a palavra por que a subordinação é indicada, assim se classificam as orações subordinadas.Vejamos os períodos seguintes:

Depois da saída de um dos directores da empresa, o subdirector foi quem mais se distinguiu.

Dá-me a caneta que te emprestei.

Parece-nos sempre bonita a terra onde nascemos.

Nos exemplos anteriores, a primeira subordinação é indicada pelo pronome relativo quem, a segunda pelo pronome relativo que, e a terceira pelo advérbio relativo onde. As proposições ou orações subordinadas: quem mais se distinguiu..., que te emprestei, e — onde nascemos, chamam-se, por isso, orações ou proposições relativas.

Nos exemplos seguintes, a primeira e a segunda subordinação são indicadas pelo pronome interrogativo quem. A terceira pelo pronome interrogativo qual. A quarta pelo advérbio interrogativo como. As quatro proposições ou orações subordinadas: — quem é aquele menino; quem é este menino; qual é o meu chapéu;como eu pude obter esta planta, chamam-se, por isso, proposições ou orações interrogativas indirectas (as duas primeiras) e directas (as duas últimas): 

Diz-me quem é aquele senhor.

Não sei quem é este senhor.

Podes dizer-me qual é o meu chapéu?

Tu sabes como eu consegui montar este móvel?

Nos exemplos seguintes, a primeira subordinação é indicada pela forma do infinito do verbo estar; a segunda por uma forma do infinito pessoal do verbo fazer; a terceira por igual forma do verbo ter. As três proposições ou orações subordinadas: — por estar a mãe doente; para fazerem a comida; por terem feito uma travessura, chamam-se, por isso, orações ou proposições infinitivas:

O Joãozinho não foi à escola, por estar a mãe doente.

Para fazerem a comida, as cozinheiras ligam primeiro o fogão.

O pai castigou os filhos, por se terem portado mal.

Vejamos as seguintes orações:

É preciso que faças o exercício.

O marquês de Pombal, que foi ministro de D. José, expulsou os Jesuítas.

Estimo quem é diligente.

Diz-me se resolveste o problema.

Quero comprar um carro a quem mo vender por pouco dinheiro.

Nestes exemplos, há orações que exercem a função de substantivos, tanto assim que uma faz as vezes de sujeito (que faças o exercício), outra de predicativo e de aposto (que foi ministro de D. José), duas de complemento directo (quem é diligente e se resolveste o problema), e, finalmente, outra, de complemento indirecto (a quem mo vender por pouco dinheiro).

As proposições ou orações que exercem as funções de substantivos chamam-se substantivas. Quando servem de sujeito chamam-se subjectivas:

É necessário que partas.

Quando servem de complemento chamam-se completivas:

O teu irmão diz que não te esqueças de levar o livro.

Nos exemplos seguintes, a segunda oração (que têm perfume) pode ser substituída pelo adjectivo perfumadas, e a quarta (em que nasci) pode ser substituída pelo adjectivo natal. Essas proposições exercem, portanto, as funções de adjectivos, e chamam-se por isso adjectivas:

As flores que têm perfume são mais apreciadas.

Gosto muito da terra em que nasci (ou onde nasci).

Nos exemplos seguintes, as proposições subordinadas — se logo estiveres em casa, porque tenho de acabar..., quando partimos ou ao partirmos, equivalem a complementos circunstanciais. Chamam-se, por isso, proposições adverbiais ou adverbiais ou circunstanciais:

Se logo estiveres em casa, virei beber café contigo.

Não posso sair, porque tenho de acabar um trabalho.

Chovia quando partimos (ou ao partirmos).

Nas frases a seguir indicam-se exemplos de proposições adverbiais ou circunstanciais que se classificam conforme as circunstâncias que exprimem.

a) CONDICIONAIS: — O José não teria conseguido o emprego, se não fosse a sua inteligência e empe. Se amanhã estiver calor, fico a trabalhar em casa;

b) CAUSAIS: — O Nuno conseguiu ter boa nota no exame porque estudou bastante nos dias anteriores. O Pedro comprou novos móveis por querer mudar a decoração da sala;

c) FINAIS: — Revolvo a terra do jardim, para que as plantas se desenvolvam. As crianças devem brincar moderadamente ao ar livre para se desenvolverem;

d) CONCESSIVAS: — Embora o dia esteja lindo, não posso sair hoje. Apesar de ser mais novo, o Quim corre mais que o Nuno. Se bem que goste de beldroegas, aprecio muito mais a alface;

e) CONSECUTIVAS: — Chove tanto, que não me atrevo a sair. A Arminda gosta tanto de flores, que passa o tempo no jardim. O ar da montanha é de tal modo saudável, que todos deviam respirá-lo, pelo menos durante algum tempo;

f) TEMPORAIS: — Quando acabaram as guerras entre os Mouros e os cristãos portugueses, ficaram por em Portugal bastantes mouros. Depois que dei a prenda à Carlota, não a tornei a ver. Esperei pelo João até que adormeci;

g) COMPARATIVAS: — Conforme os alunos se portam, assim o professor os avalia. As plantas, como já lhes disse, prestam-nos muitos serviços: dão-nos alimentos, madeira, sombras, purificam o ar, absorvem a humidade dos pântanos, etc.

Vejamos os períodos seguintes:

O maior dos rios que correm em Portugal Continental é o Tejo; imediatamente abaixo deste, na escala do comprimento, é o Guadiana; logo depois o Douro; e o quarto dos maiores rios é o Minho.

Na escala das altitudes, a primeira das serras de Portugal Continental é a da Estrela, em segundo lugar vem a do Larouco, ocupa o terceiro lugar a do Gerês; abaixo desta ficam, por sua ordem, a do Marão, a de Soajo, a de Montesinho, etc.

Cada uma das orações que constituem estes dois períodos ou orações compostas é coordenada, como já sabemos.

Nas frases a seguir, indicam-se exemplos de orações coordenadas, que se classificam conforme as palavras que as ligam ou coordenam. Essas palavras são, geralmente, conjunções coordenativas:

a) COPULATIVAS: Manuel não leu hoje nem escreveu. Manuel levantou-se e saiu logo para a caça;

b) ADVERSATIVAS: Dou-te este canivete, mas recomendo-te que não o percas. Aprecio muito a serra, contudo, agrada-me mais o mar;

c) DISJUNTIVAS: Empresta-me o teu livro de Geografia ou o de História. Fico contente, quer me tragas um, quer o outro;

d) CONCLUSIVAS: Estragaste a bicicleta, portanto não andas. Esqueceu o guarda-chuva, por conseguinte, molhou-se;

e) CORRELATIVAS: Qual é o trabalho tal será o proveito. Tanto será o lucro da cultura quanto tiver sido o cuidado. (Assim chamadas por se empregarem na coordenação palavras correlativas, isto é, palavras que estabelecem relação mútua, semelhança no sentido de duas ou mais proposições. Exemplos: tal... qual; tanto... quanto; quer... quer; seja... seja; ora... ora.)